Introdução.
Jonathan Edwards, pastor congregacional
norte-americano, foi o mais destacado teólogo e erudito da Nova Inglaterra, no
período do século XVIII. Em 1727 foi ordenado e empossado pastor assistente da
igreja de seu avô, Salomon Stoddart faleceu em 1729, então Edwards tornou-se o
pastor efetivo da igreja.
Em 1734 o reavivamento religioso, parte do Grande
Despertamento, chegou à sua igreja. Seu famoso sermão “Pecadores nas Mãos de um
Deus Irado” proferido em 1741 durante esse reavivamento.
Ao ler algumas das pregações destes homens, talvez
não sintamos hoje o mesmo efeito que causavam nos seus ouvintes quando foram
pregadas originalmente. Segundo um relato, uma das mensagens do pai de Jonathan
Edwards continha nada menos que 66 pontos!
Qual a explicação, então, para a fantástica reação
emocional que ocorreu durante a pregação de Pecadores nas Mãos de um Deus
Irado? Na ocasião, havia pessoas gritando e gemendo, sentindo quase que
literalmente as chamas do inferno, caindo no chão, desmaiando, incomodadas e
extremamente angustiadas enquanto não encontrassem paz com Deus. A cena era
como se um furacão tivesse passado no meio de uma floresta. Durante toda a
noite seguinte, a convicção de pecados continuou nos lares, onde pessoas
buscavam um verdadeiro encontro com Deus. Era como se o dia do Senhor já
tivesse chegado.
Em 1746, Edwards publicou uma série de sermões
sobre 1 Pedro 1:8, no qual argumentou que o “Cristianismo verdadeiro não se
evidencia pela quantidade ou intensidade das emoções religiosas, mas por um
coração transformado que ama a Deus e busca o seu prazer”. Ela faz uma análise
rigorosa das diferenças entre a religiosidade carnal, que produz muita comoção,
e verdadeira espiritualidade, que toca o coração com a visão da excelência de
Deus.
·Nos seus escritos, Jonathan
Edwards avaliou a experiência religiosa à luz das Escrituras e das suas
convicções reformadas. O ponto de partida da sua pregação e da sua teologia foi
o Deus soberano, em sua majestade, graça e glória. Esse Deus criou o universo e
o ser humano para manifestar a sua grandeza e o seu amor. A majestade e a graça
de Deus também se revelam de modo supremo no envio de Cristo para redimir os
pecadores.
· Nenhum avivamento ou
experiência religiosa é genuína se não realçar esse Deus sublime em sua
soberania, graça e amor. O critério principal é este: se quem está no centro
das atenções é Deus ou o ser humano. Para que Deus esteja no centro é
necessário, em primeiro lugar, que haja nos corações um profundo senso de
incapacidade, de dependência de Deus, e de convicção da nossa pecaminosidade.
Além disso, é preciso que haja a consciência de que toda genuína experiência
religiosa é fruto da atuação do Espírito de Deus, que transforma e santifica os
pecadores, capacitando-os a amar e honrar a Deus em suas vidas.
·Portanto, todas as teorias de
salvação que dão ênfase às obras humanas ou à capacidade humana só desmerecem a
grandeza do amor de Deus revelado a nós em Cristo Jesus e tornado real em
nossos corações somente pela iluminação do Espírito Santo.
Edwards crê na necessidade de transformação do ser
humano. A moralidade externa não é suficiente, daí a importância da conversão.
Por outro lado, para aqueles que já são crentes, uma fé simplesmente racional
ou intelectual não basta. É preciso que a pessoa se aproxime de Deus não só com
o entendimento, mas com os sentimentos. Cabeça e coração (luz e calor) devem
funcionar juntos na vida conduzida pelo Espírito.