Texto Base: Gálatas 12:2 / 2 Coríntios 5:17
"E
não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação da
vossa mente, para que experimenteis qual é a boa, agradável e perfeita vontade
de Deus." KJA
"Portanto, se alguém está em Cristo, é nova criação; as coisas
antigas já passaram, eis que tudo se fez novo!" KJA
Introdução
Metanoia é uma transliteração da palavra grega μετάνοια
formada pelo prefixo: meta, com sentido de: o que está
além, o que transcende, e pelo sufixo: noia, um verbo com sentido
de: pensar, razão, compreensão ou entendimento, muito próximo da palavra
grega νοια que pode ser traduzida como consciência.
Portanto, metanoia pode significar: expansão da consciência, ir além da razão
lógica, transcender, converter-se, ter mudança de crenças ou visão de mundo.
No contexto bíblico, a
metanoia é uma palavra que se refere à transformação da mentalidade que
prevalece na vida de uma pessoa. Nossa caminhada com Deus depende dessa
renovação porque só podemos caminhar com Ele se pensarmos como Ele pensa.
Deus é um Pai amoroso, nos
ama de forma incondicional e quer nos ver desfrutando do melhor desta terra.
Essa conquista, porém, envolve a adoção de um estilo de pensar que vai na
contramão daqueles que são pregados pelo mundo.
“Se vocês estiverem
dispostos a obedecer, comerão os melhores frutos desta terra.” (Isaías 1:19)
Um significado mais abrangente torna-se necessário para
entendimento da verdadeira dimensão bíblica do processo de metanoia. Seu
conceito envolve o arrependimento, mas vai além disso. Mais que tristeza,
pesar, ou até mesmo uma mudança comportamental, metanoia sugere um novo estilo
de vida baseado na mudança do pensamento.
Metanoia não significa simplesmente mudar o comportamento de uma
pessoa, seja isso conseguido através de regras impostas, pressão da sociedade,
igreja ou família. Embora todas essas fontes de influência possam fazer parte
de um processo de transformação, metanoia sugere que essa transformação seja a
consequência de uma mudança mais profunda que somente o comportamento.
Metanoia é mais do que tentar transformar alguém através de
sistemas de punições e recompensas. O conceito de metanoia expressa uma
transformação do homem de dentro para fora, ou seja, uma mudança que acontece
na mente e consequentemente muda atitudes e ações. Essa é a transformação
que o evangelho de Jesus veio trazer ao homem.
1. João Batista Prega
Metanoia
Em Marcos 1:4-5 nós lemos sobre o batismo que João Batista
pregava e realizava:
“4apareceu João Batista no
deserto, pregando batismo de arrependimento para remissão de pecados.5Saíam
a ter com ele toda a província da Judéia e todos os habitantes de Jerusalém; e
confessando os seus pecados, eram batizados por ele no rio Jordão”.
João veio preparar o caminho para Jesus, endireitando as veredas
em que o povo andava. Como ele buscou fazer isso? Através da mudança de
mentalidade. Seu discurso e suas práticas incomuns apontavam para uma nova
realidade espiritual. Não haveria forma de preparar o caminho do Senhor sem que
houvesse uma ruptura com a forma de pensar do sistema religioso corrompido pelo
homem. O profeta indicava agora a necessidade de que cada pessoa se decidisse
pela mudança. Vemos no texto que João Batista pregava o batismo de
arrependimento para remissão de pecados, e a expressão “arrependimento” é
exatamente a palavra grega “μετάνοια” (metanoia) significando a mudança da
mente. Daí entendemos a importância de metanoia em nossa conversão.
2. Jesus Prega Metanoia
Jesus também pregou sobre metanoia. Em Mateus 4:17 lemos sobre a
primeira pregação de Jesus quando Ele sai do deserto, onde foi tentado por
Satanás. Após ter vencido a tentação, Jesus volta para a Galileia e começa sua
pregação contundente ordenando que houvesse arrependimento porque o Reino de
Deus estava próximo. Mais uma vez a palavra usada em lugar de arrependimento
foi metanoia.
“17Daí por diante, passou
Jesus a pregar e a dizer: Arrependei-vos (metanoia), porque está próximo o
reino dos céus. ” (Mateus 4:17)
Jesus está interessado em que nossas vidas sejam transformadas
porque a vida eterna é mais do que escapar do inferno. Jesus veio para
reconciliar-nos com Deus afim de que possamos ter com Ele um relacionamento
entre pai e filho (Romanos 5:1) (Mateus 6:9). Ele disse que veio nos dar vida,
e vida em abundância (João 10:10); Uma vida que flui de nosso interior porque
ele habita em nós (1 Coríntios 3:16); Uma vida que flui como rios de água viva
vindos do nosso interior, por causa da fé que temos no Filho de Deus (João
4:14); Uma vida que é baseada em princípios tão poderosos que profundamente transformam
nosso pensar, e daí mudam nosso ser e nosso estilo de viver (Romanos 12:2).
Jesus estabelece o conceito dessa mudança de mentalidade muito
além da proibição de certos atos de conduta. Obviamente metanoia também
significa o abandono das práticas carnais (pecados) que nos afastam de Deus. No
entanto, metanoia não busca sua força na “retidão” humana, na capacidade do
homem em fazer o que é certo, ou no merecimento de alguns que conseguem evitar
“a aparência do mal”. Metanoia surge da ação de Deus na vida de uma pessoa. É
um chamado à conversão, o chamado para sua total rendição e comprometimento com
a vontade de Deus. É a transformação que acontece porque, entre outros:
·
A percepção pessoal do amor de Deus por você torna-se
inquestionável;
·
Estar separado de Deus significa para você estar morto;
·
Estar ligado a Deus significa para você a única vida verdadeira;
·
O propósito para a sua vida é descoberto;
·
Você entende que os planos Dele são melhores do que os seus;
·
Você tem convicção que a vontade Dele é boa, agradável e
perfeita;
·
Sua prioridade é agradá-lo;
·
Seu entendimento sobre os valores éticos e morais são
corrigidos;
·
Seu foco e suas prioridades deixam de ser centrados em desejos
egoístas, passando para aquilo que está no coração de Deus.
3. Pedro Prega Metanoia
A transformação da mentalidade é necessária no processo de
conversão para que esta seja genuína. Ao ser questionado a respeito do que
fazer após ouvir a mensagem do evangelho, o apóstolo Pedro é enfático ao
responder:
“Arrependam-se, e cada um
de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados,
e recebereis o dom do Espírito Santo.” (Atos 2:38-40)
A consequência dessa mudança de mentalidade é a conversão
genuína em nossa vida. O batismo vem na sequência como um marco da decisão de
entregar a vida a Deus. É a expressão simbólica da decisão de morrer para o
mundo e viver para nosso Eterno Pai.
O significado dessa experiência é tão profundo que, se não
houver o processo de mudança da mentalidade, jamais entenderemos o que é nascer
de novo. Foi isso que impactou Nicodemos ao ouvir Jesus dizer: “É necessário nascer de novo” (João 3). Nicodemos ficou
perplexo com aquela declaração. “Como isso é possível?” Então, Jesus começa a dizer sobre a necessidade dessa mudança de
pensamento. Essa não é uma questão de informação ou sabedoria humana. Mesmo
sendo um mestre em Israel, Nicodemos não conseguiu compreender o novo
nascimento de imediato. Misericordioso, Jesus não o dispensou por isso. O
evangelho de João declara que Nicodemos participou do enterro de Jesus
juntamente com José de Arimatéia. Embora não tenhamos um relato bíblico claro,
creio que Nicodemos tenha se tornado um discípulo. Essa é uma obra do Espírito
Santo.
Não é incomum vermos pessoas que são criadas em um lar Cristão,
acostumadas a frequentar a igreja e até com certo conhecimento bíblico, mas que
ainda não experimentaram a metanoia de Deus. Eles mantêm um estereótipo de
Cristãos, mas o fazem pela pressão da igreja e da família. Muitos deles se
distanciam dessas práticas na primeira oportunidade de liberação dos pais. Sem
que haja uma experiência pessoal com a verdade de Deus, não haverá poder para
viver os Seus princípios. Precisamos buscar essa experiência.
4. Paulo Prega Metanoia
Em Atos 17 o apóstolo Paulo prega sobre a necessidade de sermos
transformados a partir da mudança de nossa mentalidade. Ele declara que Deus
está notificando os homens em toda a parte para que se arrependam e se
convertam. Todos nós somos notificados de que Deus requer o processo de
transformação na mente e, a partir dela, nas atitudes.
“30Ora, não levou Deus em
conta os tempos da ignorância; agora, porém, notifica aos homens que todos, em
toda parte, se arrependam (metanoia);31porquanto estabeleceu um
dia em que há de julgar o mundo com justiça, por meio de um varão que destinou
e acreditou diante de todos, ressuscitando-o dentre os mortos.” (Atos 17:30-31)
Aos irmãos em Roma, Paulo diz que não se deve conformar com este
século, mas transformar-se pela renovação da mente. Assim vamos experimentar a
vontade de Deus que é boa, agradável e perfeita.
“1Rogo-vos, pois, irmãos,
pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo,
santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional.2E não vos conformeis com este
século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que
experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.” (Romanos 12:1-2)
Metanoia é o processo pelo qual nossas atitudes passam a
alinhar-se com a vontade de Deus. Através dessa renovação em nossa mente:
- Passamos a
submeter nossa vontade à vontade Dele;
- Passamos a
lutar para que a carne se submeta ao espírito;
- Passamos a
desejar a santidade e a consagração;
- Entendemos
que Seus planos são maiores do que os nossos;
- Entendemos
que Seus caminhos são melhores;
- Percebemos
nossa necessidade de nos alimentar de Sua palavra;
- Percebemos
nossa necessidade de nos alimentar em Sua presença;
É importante também ressaltar que Deus é o agente dessa
transformação em nós, apesar desse processo requerer nosso posicionamento em
direção ao Seu chamado. O Dicionário Teológico do Novo Testamento declara sobre
o processo de metanoia:
“Mas essa incondicional exigência não é alcançada pelo esforço
exclusivo do homem. Em Mateus 18:3 Jesus mostra através do exemplo da
criança o que “converter”, “tornar-se um novo homem” significa para Ele: Ser
uma criança significa ser pequeno, precisar de ajuda, e ser receptivo a isso.
Aquele que se converte torna-se pequeno diante de Deus, pronto para deixar Deus
trabalhar em seu interior. A crianças do Pai Celeste as quais Jesus proclama
são aquelas que simplesmente recebem Dele. Ele dá a elas o que elas não podem
dar a si mesmas (Marcos 10:27). Essa é a verdade sobre metanoia. Isso é um
presente de Deus, embora não deixe de requerer um posicionamento do homem.”
E ainda:
“Atrás do chamado para conversão, o qual Jesus estabelece
através de seu anúncio do governo de Deus, está a promessa de transformação, a
qual ele realiza como o Único capaz trazer esse governo em nós… Isso desperta
uma obediência com alegria para uma vida de acordo com a vontade de Deus. Isso
acontece porque “metanoia” deixa de ser a lei, conforme o era no Judaísmo, para
tornar-se o Evangelho.”
Sobre o evangelho, Paulo ainda declara que é o poder de Deus
para a salvação de todo aquele que crê (Romanos 1:16). O mesmo evangelho que
anuncia a vida eterna disponível a todos, mediante a fé, conforme João 3:16,
que diz:
“16Porque Deus amou ao mundo
de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não
pereça, mas tenha a vida eterna.17Porquanto Deus enviou o seu Filho
ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por
ele.” (João
3:16)
Pessoas que Experimentaram Metanoia
Provavelmente você seja uma das pessoas que pode testemunhar a
respeito do poder transformador do evangelho. Também é provável que você
conheça outras pessoas com fortes testemunhos de transformação. Não há como
negar quando Deus age na vida de alguém. Aqueles que vivem ao redor dessas
pessoas verão a diferença.
A Bíblia relata várias estórias de homens e mulheres que
experimentaram grandes transformações através do poder de Deus. Creio que um
dos motivos dessas estórias terem sido registradas foi trazer a mim e a você
inspiração e fé, esperança e força para buscarmos também experimentar Sua
presença e Seu poder.
1.
Maria Madalena
Essa foi a primeira pessoa a ver Jesus ressurreto, como podemos
ver em João 20:11-18. Maria Madalena esteve presente no ministério de Jesus e,
mesmo quando Seus discípulos desertaram, ela o acompanhou. Quando Jesus esteve
diante de Pilatos, quando ele foi maltratado pela multidão, quando foi
crucificado, quando Nele foi enfiada a lança, quando foi declarada a Sua morte,
e quando Ele foi levado ao tumulo, Maria Madalena estava lá. E porque não se
separou de Jesus, foi a primeira a testemunhar sua ressurreição.
Olhando sua estória a partir das cenas finais pode parecer que
Maria Madalena sempre foi uma mulher corajosa, segura de si, emocionalmente
estável e espiritualmente saudável. Contudo, isso não é verdade. O evangelho de
Lucas, no capítulo 8, declara que Jesus a libertou de sete demônios.
Se o número sete fosse considerado como quantidade, alguém
poderia ficar surpreso de uma pessoa tendo sido possuída por tantos demônios
poder tornar-se um discípulo de Jesus. No entanto a situação de Madalena era
ainda pior. O número sete é usado muitas vezes na Bíblia para expressar
completude, ou seja, ela era completamente possuída por demônios.
É de se imaginar que uma mulher possuída por espíritos malignos
se sinta humilhada, insegura, impura e indigna. Provavelmente era assim que ela
se sentia. Não tendo controle sobre sua sobriedade e crises de possessão, uma
pessoa assim deve sentir-se bastante insegura, evitando situações que possam
expor sua condição escrava ao mau. Diante de situações adversas também é
provável que essa pessoa espere que o pior lhe aconteça porque sua confiança é
abalada pela presença de forças malignas em sua vida.
Contudo, Maria Madalena encontrou-se com Jesus e esse encontro
mudou para sempre sua vida. Jesus a libertou do mau que a dominava, tornando-a
uma mulher livre. Por isso, ela se encheu de gratidão e devotou sua vida ao seu
Libertador. Seguindo seu Mestre, Madalena foi curada de muitas outras
enfermidades em sua alma e também recebeu o maravilhoso propósito de sua vida,
que era servir ao ministério do Filho de Deus. Ela agora sentia-se livre e
amada, cheia de vida e gratidão. Restava-lhe dedicar toda sua vida àquele que a
tornou uma mulher abençoada.
Sua mente foi renovada e sua vida transformada. Seus valores
foram trocados e suas prioridades postas de cabeça para cima, porque até então
estavam de cabeça para baixo. Maria Madalena encontrou seu destino e seu
propósito de vida em Jesus. Isso lhe trouxe verdadeira vida.
2.
Paulo
No capítulo sete de Atos encontramos um jovem Fariseu, bem
treinado em religião, com boa formação intelectual e cheio de justiça própria.
Um perseguidor de pessoas as quais ele prendia e até mandava matar em nome de
sua religião. Um homem conhecido entre os Cristãos pelas atrocidades que fazia
e que era temido por sua falta de compaixão. Paulo, até então Saulo, era um
religioso radical, como em Atos 8:3 e Atos 9:1-2 declaram:
“3Saulo, porém, assolava a
igreja, entrando pelas casas; e, arrastando homens e mulheres, encerrava-os no
cárcere.” (Atos 8:3)
“1Saulo, respirando ainda
ameaças e morte contra os discípulos do Senhor, dirigiu-se ao sumo sacerdote2e
lhe pediu cartas para as sinagogas de Damasco, a fim de que, caso achasse
alguns que eram do Caminho, assim homens como mulheres, os levasse presos para
Jerusalém.” (Atos 9:1-2)
No entanto, bastou Jesus revelar-se a Paulo e confrontá-lo, que
ele se rendeu totalmente à vontade do Salvador. Paulo, que era cheio de justiça
própria e espirito de religiosidade, foi quebrantado e passou a buscar
relacionamento com Deus, ao invés de basear-se no sistema religioso. Aquele que
respirava ameaças contra os discípulos, passou a ser um apóstolo de Jesus
Cristo. O homem que perseguia os Cristãos, entrando em suas casas, arrastando
homens e mulheres para serem presos, agora levantava ofertas para abençoar
aqueles que estavam em necessidade.
O que aconteceu com Paulo? Sua mente foi mudada, seus valores
trocados, sua identidade santificada, e seu propósito redefinido conforme a
vontade de Deus. Paulo experimentou a metanoia de Deus.
3.
A Mulher Flagrada em Adultério
Flagrada em um ato de adultério, essa mulher não tem seu nome
revelado. Em João 8:1-11 temos sua estória contada. Sabemos que ela foi
brutalmente exposta pelo seu pecado quando foi lançada diante de Jesus e da
multidão no meio do templo. Nenhuma dignidade restava nessa mulher e seu fim
estava próximo porque ela seria apedrejada.
Não sabemos se ela estava arrependida do adultério ou somente
arrependida porque havia sido flagrada pecando. É assim que muitos de nós se
sente quando pegos em meio ao pecado: Um misto de sentimentos ataca nosso
coração. Mas, muitas vezes, estamos muito mais preocupados com as consequências
do pecado diante dos homens, do que com o fato de termos cometido algo que nos
separa de Deus.
Diante da morte eminente talvez aquela mulher pensasse em
resolver sua situação com Deus, mas pouca ou nenhuma esperança restava para uma
mulher pega em adultério. Então, Jesus a liberta de seus acusadores e ela,
olhando ao seu redor, não vê mais nenhum daqueles que a acusava. Seria esse um
livramento da morte física para que ela vivesse amargurada pelo seu pecado?
Seria essa uma oportunidade para que ela tivesse a liberdade de viver pecando?
Não.
Jesus declara seu perdão sobre ela, liberando-a de toda
acusação. Se os outros não poderiam acusa-la porque eles mesmos haviam pecado,
o Filho de Deus poderia, porque Nele não havia pecado. Mas Ele não o fez. Jesus
declarou: “Eu também não te condeno.”
Uma vez perdoado o seu passado, faltava agora somente algo que
mudasse o seu futuro, afim de que aquela mulher vivesse uma nova vida. Isso
Jesus fez quando declarou: “vá e não peques mais.”
Jesus não somente a liberou de uma situação constrangedora ou
evitou que ela fosse apedrejada. Quando Jesus perdoou aquela mulher, Ele curou
o seu passado, dando a ela uma nova oportunidade de viver em santidade. Quando
Jesus declarou para ela “não peques mais”, foi como se Ele dissesse, “você está
perdoada e Eu acredito que você pode viver em santidade daqui para frente. ”
Jesus muda a nossa mentalidade. Quando pensamos que não há mais
esperança por causa de nosso pecado, Ele declara Seu perdão sobre nós. Mas não
para por aí! Jesus também transforma nossa visão sobre o futuro. Nele passamos
a ter uma visão de santidade naquilo que vamos viver daqui para frente. Seu
Espírito está constantemente falando ao nosso ouvido: “Sede santos, porque Eu
sou Santo.” (1 Pedro 1:16)
4.
Isaías
No capítulo 6 do livro de Isaias lemos sobre a visão que ele
teve do trono de Deus. Serafins voavam ao redor do trono declarando “Santo,
Santo, Santo é o Senhor dos Exércitos, toda a terra está cheia da sua glória.”
Então, as bases do limiar se moveram, e a casa se encheu de fumaça. Ao ver
tanto esplendor e santidade, Isaias temeu por sua própria vida. Nesse momento
ele não se preocupou com o povo ou com sua missão como profeta. O temor invadiu
seu coração porque Isaías estava consciente de sua situação como pecador, e
diante disso ele declarou, “Ai de mim que vou perecendo…”
Isaías teve uma visão correta de sua situação. Ele era realmente
pecador e não poderia estar diante de Deus. Qual foi então a mudança de
mentalidade que ele experimentou? Apesar de ver a sua situação corretamente,
Isaías não cogitou que Deus poderia restaurá-lo, e isso precisava mudar. Então,
um anjo veio até ele e tocou os seus lábios com uma brasa viva dizendo, “A tua
iniquidade foi tirada e perdoado o teu pecado.” Nesse momento Isaías percebe
que a vontade de Deus é restaurá-lo, e não o destruí-lo.
Outra mudança ocorre na mentalidade de Isaías quando Deus
estabelece um diálogo com ele, questionando, “A quem enviarei e que há de ir
por nós?” Isaías então percebe que Deus tem um propósito para a sua vida, e
isso transforma totalmente sua perspectiva. Imediatamente Isaías responde,
“Eis-me aqui, Senhor. Envia-me a mim.”
Da mesma maneira precisamos ter nossa mente transformada pelo
Espírito de Deus. Porque o pecado atingiu nossas vidas, não significa que Deus
irá destruir-nos. Se chegarmos até ele humilhados e arrependidos, permitindo
que Ele nos purifique e limpe de todo o pecado, teremos nossa iniquidade
retirada e nosso pecado perdoado. Em 1 João 1:9 lemos: “Se confessarmos os nossos
pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda
injustiça.”
Ao permitirmos que Ele nos purifique, sua renovação em nossa
mente continuará. O processo de metanoia não é estático, mas dinâmico e
constante, como afirma o apóstolo Paulo aos irmãos em Roma: “2E não vos
conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente,
para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.” (Romanos
12:2) Estamos em constante
renovação da nossa mente e em transformação de nossa vida para melhor agradar
ao Senhor.
Deus, então, revela-nos o propósito de nossas vidas e renova Seu
chamado para servi-lo. Sem essa revelação não descobrimos para que vivemos e
sem a Sua renovação em nosso chamado, podemos esfriar e esquecer o nosso
propósito. Por isso precisamos ouvi-Lo: “A quem enviarei e quem há de ir por
nós?” Perguntando como se precisasse de nós, Deus simplesmente transmite
profundamente ao nosso ser um senso de utilidade, de valor e de ser necessário
em Seu Reino. Ele não precisa, mas faz a questão de valorizar-nos. Não depende,
mas insiste em chamar-nos.
Assim como um pai que pede ajuda ao seu filho de cinco anos para
carregar um objeto, o qual ele poderia carregar sozinho, permite ao filho
sentir-se útil e valorizado, Deus convida-nos a fazer algo para Ele em Seu
reino. Nossa responsabilidade é, na verdade, uma oportunidade de trabalharmos
ao Seu lado, sentindo-nos úteis e valorizados pelo Seu chamado. Isso transmite
confiança e reafirma nosso propósito de vida.
Metanoia: o segredo para experimentar o melhor de Deus
A Palavra de Deus está recheada de conselhos e direções para
cada área da vida do homem. Portanto, só existe um caminho para experimentar
uma vida próspera: conhecer os princípios e valores do reino e colocá-los em
prática. Quando priorizamos a Palavra, somos transformados de dentro para
fora.
1. A Palavra de Deus é a
nossa segurança
Quem é a pessoa em quem você tem mais confiança? Quando ela te
diz que vai fazer algo, você duvida ou desconfia?
Quando temos intimidade e confiança na palavra de alguém,
descansamos na certeza de que essa pessoa vai fazer o que disse que faria. Da
mesma forma, Deus é fiel à Sua Palavra. Por isso, podemos descansar na certeza
de quem Ele é e de que vai cumprir o que prometeu.
1 João 5:4 diz que “o que é nascido de Deus vence o mundo; e esta é a vitória que
vence o mundo: a nossa fé”. No
entanto, a fé que vence não está baseada no que os olhos conseguem ver, mas na
crença do homem interior, do nosso coração.
“Hoje invoco os céus e a terra como testemunhas contra vocês, de
que coloquei diante de vocês a vida e a morte, a bênção e a maldição. Agora
escolham a vida, para que vocês e os seus filhos vivam, e para que vocês amem o
Senhor, o seu Deus, ouçam a sua voz e se apeguem firmemente a
ele.” (Deuteronômio 30:19,20)
Jesus nos resgatou da maldição do pecado para nos conduzir a uma
vida abundante e fundamentada na Palavra. Quando o aceitamos como Salvador,
temos a oportunidade de mudar a rota do nosso destino. A metanoia entra em cena
nesse momento para nos levar à conquista do que Deus já preparou para
nós.
Deus é fiel à Sua Palavra. Ele não muda e Seu caráter não pode
ser influenciado pelas circunstâncias adversas. Essa parte da personalidade do
nosso Pai celestial é a garantia de que não seremos frustrados ao decidirmos
viver com base na mentalidade dEle.
Só podemos experimentar a “boa, agradável e perfeita” vontade do
Pai se nossas atitudes forem coerentes com a Sua Palavra. Isso começa com uma
mentalidade que concorda com os padrões celestiais.
2. A renovação da mente na
Verdade (metanoia) é o que garante a nossa liberdade
Não existe liberdade fora da Palavra de Deus. Da mesma forma,
não há vida abundante quando os princípios do Reino não são prioridade em nossa
maneira de pensar. É por isso que precisamos cuidar do tipo de pensamento que
ocupa nossa cabeça.
“Foi para a liberdade que Cristo nos libertou. Portanto,
permaneçam firmes e não se deixem submeter novamente a um jugo de escravidão.”
(Gálatas 5:1)
A obra da cruz foi completa. Jesus pagou um alto preço por nossa
liberdade. Ele nos resgatou da condenação eterna para desfrutarmos dela o tempo
todo. Para que isso se concretize, no entanto, existe uma parcela de
responsabilidade do ser humano. Quem decide a mentalidade que vai prevalecer
somos nós.
Deus deseja que sejamos governados pelos pensamentos do céu
porque não existe outro caminho para desfrutarmos das bênçãos conquistadas por
Jesus para nós.
3. O pensamento de Deus é
vida, é construção
Toda decisão que tomamos é reflexo da mentalidade que governa
nossa vida. O tipo de pensamento que vai prevalecer é uma escolha nossa.
Portanto, se o inferno nos convence que o jeito de pensar dele é certo, estamos
perdidos.
Deus te fez para ser bem sucedido em tudo o que você fizer. Ele
tem pensamentos de paz a seu respeito. Contudo, não é possível experimentar
essa realidade sem antes renovar nossa mente na Palavra (metanoia).
“Vocês, porém, são geração eleita, sacerdócio real, nação santa,
povo exclusivo de Deus, para anunciar as grandezas daquele que os chamou das
trevas para a sua maravilhosa luz.” (1 Pedro 2:9)
A jornada com Deus é uma caminhada de construção baseada em uma
mentalidade pautada na Palavra. Esse processo é resultado da renovação da mente
na Palavra porque não nascemos com a mentalidade do reino instalada em nós. Por
isso, precisamos investir tempo para conhecer o caráter e a vontade de
Deus.
Conclusão
A transformação de nossa mentalidade é exigida por Deus para que
possamos compreender e entrar em Seu Reino. João Batista demonstrou isso
através do batismo de metanoia; Jesus declarou isso quando disse para
transformarmos a nossa mente porque o Reino de Deus estava próximo; Pedro
anunciou que Deus exigia a mudança de mentalidade e a conversão das atitudes; e
Paulo instruiu-nos para não nos conformarmos com este século, mas sermos
transformados pela renovação da nossa mente.
O poder que transforma nossa mente não se baseia em pura
informação, mas na revelação de Deus e seu agir em nós, de tal maneira que
provoque nossa total rendição ao Seu amor e à Sua vontade.
O incondicional chamado de Deus para a mudança do homem vem
acompanhado de Sua promessa de transformação, onde ele produz em nós um
espirito alegre por obedecer e uma fé sólida pela confiança de estar vivendo
Sua vontade.
O evangelho que salva é o evangelho que transforma pela graça de
Deus. O mesmo poder que nos torna justificados sem que mereçamos, simplesmente
porque Deus nos amou e se entregou por nós. Ele é o que realiza em nós essa
transformação através da fé, dando-nos um novo começo, uma nova chance, e um
novo viver. 2 Coríntios 5:17-19 declara:
“17E, assim, se alguém está
em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram
novas. 18Ora, tudo provém de Deus, que nos reconciliou consigo
mesmo por meio de Cristo e nos deu o ministério da reconciliação,19a
saber, que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando
aos homens as suas transgressões, e nos confiou a palavra da reconciliação.”
Ao permitir que Deus renove a nossa mente e traga transformação
às nossas vidas, seremos também renovados em nosso espírito, recebendo Dele o
perdão, a cura e a renovação de nosso chamado. Esse é o constante processo de
metanoia, que Deus realiza naqueles que se rendem ao Seu agir.
Compartilhe isso:
Ter uma rotina de devocional é o fundamental para conhecer o
Senhor cada dia mais. Algumas dicas para incluir esse hábito no seu cotidiano
são:
1. Marque um horário na agenda da mesma forma que você marca uma
consulta médica;
2. Escolha um ambiente calmo e tranquilo para realizar o seu
devocional;
3. Tire de perto todas as coisas que podem desviar sua
atenção.
Reservar um período do dia para conhecer mais de Deus é uma decisão que gera resultados de vida porque alinha nossa mentalidade ao estilo de pensar do céu.
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